Petropotência. Esse termo, cunhado na edição de 7 de dezembro do jornal Washington Post nos Estados Unidos, dá o tom exato do significado que o país alcançou hoje no mundo e das expectativas sobre o papel que irá cumprir na geopolítica global num futuro próximo.
Mais do que a obra de um governo e muito menos obra do acaso – ou de sorte, como dizem alguns – alcançar esse nível de projeção e respeito no plano econômico e político internacional é uma obra grandiosa que poucos poderiam prever.
A descoberta de petróleo no pré-sal é a consolidação da estatal Petrobrás como uma das quatro mais importantes empresas do mundo e uma das conseqüências ou resultados de uma estratégia acertada de fortalecimento do país e da sua inserção soberana no intrincado jogo da economia mundial.
Ocorre que essa inserção soberana e altiva – política, econômica e tecnológica – se deu paralelamente ao enfrentamento a um dos grandes e graves problemas do país: o restrito mercado interno. Ou melhor: um grande contingente populacional com pequeníssimo poder aquisitivo, dada a histórica má distribuição de renda.
Após sete anos de crescimento do salário mínimo acima da inflação; de um conjunto de programas sociais de distribuição de renda; da diminuição gradativa dos juros, aos níveis mais baixos da história; da desoneração de impostos de vários produtos industrializados; do estímulo através da disponibilização de recursos baratos para investimentos na produção e de outras tantas medidas econômicas, o Brasil conseguiu criar um mercado consumidor interno forte e dinâmico.
Essa estratégia, atuando nestes diferentes planos , trouxe dois resultados importantes: em primeiro lugar, promoveu um surto de desenvolvimento econômico sustentável, com ótimo lastro para o financiamento da produção e de reservas, garantindo segurança macroeconômica e o enfrentando da crise mundial com relativa tranqüilidade, dela saindo antes dos demais países e sem muitos estragos.
Em segundo lugar, essa estratégia possibilitou a manutenção do ritmo de desenvolvimento com relativa independência do mercado e da crise internacional, sustentado no crescimento do consumo interno, possível graças à distribuição de renda que permitiu a mais de 20 milhões de brasileiros ascender ao que alguns chamam de “nova classe média brasileira”.
A descoberta de petróleo no pré-sal representa o coroamento dessa estratégia na medida em que demonstra a capacidade tecnológica de uma empresa estatal brasileira, no domínio de técnicas de ponta, num mercado extremamente competitivo. Por outro lado, cumpre papel dos mais relevantes, pois permite, com o novo marco regulatório, mais investimentos em educação, C&T e programas de inclusão social, alavancando ainda mais o mercado interno e melhorando a qualidade de vida.
Assim, capitaneados pelo Governo Federal, setor produtivo e instituições de ensino e pesquisa inauguram um novo paradigma de políticas, estabelecendo um círculo virtuoso que, com absoluta certeza, tornará o Brasil, no curto prazo, não apenas numa “petropotência”, mas numa potência econômica, tecnológica e social.
Carlinhos Almeida é deputado pelo PT e 1º Secretário da Assembleia Legislativa de São Paulo