Alguma confusão e informações equivocadas ocorreram durante a divulgação da minuta do Edital para escolha do consórcio que vai construir e operar o TAV - Trem de Alta Velocidade. A proposta de uma estação obrigatória em Aparecida foi equivocadamente interpretada por muitos como o fim da hipótese de uma parada em São José dos Campos.
Desde o início a ANTT deixou claro que pretendia colocar no edital oito estações obrigatórias, sendo duas em Campinas, uma em São Paulo, uma em Guarulhos, duas no Rio de Janeiro, uma no Vale do Paraíba fluminense e uma no Vale do Paraíba paulista. Em nenhum momento foi dito que o edital carimbaria uma determinada cidade no Vale paulista ou fluminense. O que a ANTT fez foi apontar opções de traçado e estações
referenciais. Tais referências foram estabelecidas com base em estudos técnicos de demanda, custo de obra, dificuldade geológica e impacto ambiental que indicaram São José dos Campos como a melhor alternativa no lado paulista do Vale.
A decisão de incluir Aparecida não exclui ninguém. Pelo contrário, ela é um ganho extraordinário para a região e é plenamente justificada porque ali temos um pólo de turismo religioso dos mais importantes. A única diferença agora em relação ao que vinha sendo dito é que serão nove estações obrigatórias, e não mais apenas oito.
Sem qualquer vacilo, afirmo que a estação só não será construída em São José dos Campos se a cidade não quiser. Isso porque o consórcio que vencer a licitação deverá fazer a opção que mais facilite o retorno de seus investimentos – 90% dos R$ 34,4 bilhões terão que ser custeados pela tarifa. Por que deixariam de escolher a cidade mais populosa e com maior renda per capita do Vale do Paraíba?
O próprio diretor-geral da ANTT, em entrevista à agência de notícias do governo federal por ocasião da divulgação da minuta do edital, revela como é falso o debate da suposta exclusão de São José. A notícia, publicada na Agência Brasil, diz literalmente sobre onde deverão ser instaladas as outras estações do Vale:
“De acordo com o diretor-geral da ANTT, Bernardo Figueiredo, a maior probabilidade é de que sejam escolhidas Barra Mansa (RJ) e São José dos Campos (SP)”.
O TAV é um projeto que vai revolucionar o transporte de passageiros no eixo mais dinâmico e populoso do país. Indica que o país tem projeto e tem coragem. A boa imagem do Brasil no exterior faz com que vários grupos econômicos se interessem por fazer esse investimento no nosso país. Não é hora de pensar pequeno. Toda a região vai ganhar. Será um meio de transporte rápido, seguro e limpo. Vai desafogar nossas estradas e gerar empregos. A hora é de defender o projeto. Ganhamos mais uma estação obrigatória, o que mostra todo o respeito do governo federal para com a região.
Quando a ANTT divulgou seu estudos, muito se debateu. Reunido com o prefeito de São José dos Campos e com outras lideranças da região percebi que todos querem que o projeto seja viabilizado. Que seja aperfeiçoado, mas que não percamos a oportunidade. Alguns estão apostando no conflito, partidarizando o debate. Não precisamos disso. A hora é de manter o diálogo com todos os partícipes do processo e buscar entendimento para que o projeto aconteça. Dessa forma, naturalmente São José terá uma estação que servirá a toda região.
Carlinhos Almeida é deputado estadual pelo PT e 1º Secretário da Assembléia Legislativa
(artigo publicado pelo jornal ValeParaibano em 26/12/2009)