Carlinhos Almeida
A campanha eleitoral está transformando em polêmico um tema que antes parecia consensual. Trata-se do Trem de Alta Velocidade (TAV), ou Trem-Bala, que ligará São Paulo ao Rio de Janeiro – os dois maiores pólos econômicos e populacionais do Brasil.
De um lado estão o presidente Lula e a candidata a sua sucessão, Dilma Rousseff, que vêem no Trem-Bala um projeto estratégico para o país. De outro está o PSDB com seu candidato à presidência, José Serra, que diz preferir investir em metrô e na ampliação da malha rodoviária.
O Brasil paga caríssimo por um erro estratégico do passado ao se tornar escravo do modal rodoviário. Este erro começa lá trás, nos governos militares, que iniciaram o desmonte de nossa estrutura ferroviária. E se consolida no governo de Fernando Henrique Cardoso com a privatização de empresas e da malha férrea.
O Brasil precisa ter a coragem de consertar esse brutal equívoco do passado. O Trem-Bala é um dos caminhos. É um meio de transporte de massa rápido, seguro, pontual e ambientalmente mais limpo. Poderá transportar de 8 milhões a 10 milhões de passageiros por ano ou 22 mil pessoas por dia. Portanto, o TAV desafogará o movimento das rodovias e otimizará as viagens aéreas, inclusive permitindo a integração do aeroporto de São José dos Campos aos grandes e sobrecarregados aeroportos do eixo Rio - São Paulo.
Mas o Trem-Bala é especialmente importante para a nossa região, pois trará desenvolvimento, empregos e vai transformar a nossa realidade logística. O Vale do Paraíba vai ganhar duas estações – uma em Aparecida e a outra tenho certeza que será em São José – além de uma oficina de manutenção. Estimativa da Aconvap (Associação das Construtoras do Vale do Paraíba) indica que o empreendimento pode gerar até 50 mil empregos somente na construção civil em toda a região.
Para quem ainda duvida da nova realidade brasileira, da viabilidade de construirmos nossos primeiros 510 km de linha de trem de alta velocidade, sugiro uma comparação com a Espanha. País com cerca de 40 milhões de habitantes – praticamente a população das regiões beneficiadas pelo Tem-Bala brasileiro – a Espanha já está na sua sexta linha de TAVs, como mais de dois mil quilômetros de trilhos em operação. E já projetam outros nove mil quilômetros ainda nesta década.
Toda Europa vai se interligar por este meio de transporte de massa. Até mesmo os Estados Unidos – que priorizou os transportes rodoviário e aéreo – também está se curvando para o modal ferroviário. O presidente Barack Obama destinou um orçamento de US$ 8 bilhões para investimentos em trens de alta velocidade, levando o secretário dos Transportes Ray LaHood a testar o serviço durante uma viagem à Espanha.
Para os que defendem a construção de mais linhas de metrô na Capital e a ampliação da malha rodoviária em detrimento do TAV, a questão não é fazer uma ou outra coisa. A alternativa é que cada um faça a sua parte, como vem fazendo o governo do presidente Lula com o Trem-Bala.
Desde 1981, já existiam estudos do governo federal apontando para a necessidade de um trem de alta velocidade ligando São Paulo ao Rio de Janeiro. Mas pessoas ou grupos políticos que nunca tiveram a ousadia de aplicar um projeto de desenvolvimento para o país sempre jogam para baixo e apostam no descrédito, como aconteceu na polêmica das plataformas de petróleo. Em vez de importar plataformas prontas de Cingapura, o presidente Lula bateu pé e disse que o Brasil tinha condições de construí-las, como de fato está fazendo.
O governo do presidente Lula e nossa candidata Dilma acertaram em apostar na alternativa do Trem-Bala. Afinal de contas se este governo conseguiu nos livrar do FMI e construir plataformas para a Petrobras em solo nacional, também conseguirá dotar o Brasil de um moderno e eficiente meio de transporte de massa.
(Artigo publicado no jornal
ovale, de 17/08/10 - pág. 2)